Do céu vi uma pena negra caindo
E vi que a ave nenhuma pertencia.
Creio, se desprendeu naquele dia
Das asas d'um arcanjo — Do mais lindo!
Mas o que co'a pena escrevi sorrindo
Tão triste e funesto me parecia...
Por fim, decidi que em minha poesia
Tais sentimentos eram, sim, bem-vindos.
Mas como pode esssa pena que escreve
Das coisas que em mim sinto tão pesadas
Correr tão tranquila, nas mãos tão leve?
Ora, ela é dádiva amaldiçoada,
É o presente do arcanjo a quem se atreve
A crer na poesia — nela, e em mais nada.