segunda-feira, 16 de setembro de 2019

O Cemitério

Tarde de verão, fui ao cemitério
Deitar-me ali, de estranhos à guarida
Banhei-me do silêncio e do mistério
Das histórias por mim nunca vividas.

Pensava sobre a morte e sobre a vida
Enquanto dava às cruzes meu critério.
Apesar da atmosfera temida,
Tudo é terreno lá, nada é etéreo.

O chão, os ossos, as marmóreas cruzes
São matéria, da terra são minérios.
É leito — por qual sono a alma nutre
quando lá me deito! — o cemitério.

Tão felizes os corvos e os abutres
Vi voando naquele céu cinéreo...
Vereis ao se apagarem vossas luzes:
Eternamente terno é o cemitério!