terça-feira, 10 de setembro de 2019

Tormentas

Que tanto chora o céu? — Ora, eu me atento
À dor com que ele cai e me consome;
Ouço Leviatã chamar meu nome,
Sim! Que do mar, escuta o meu lamento!

Devorai-me então, oh ventos vorazes!
Como farão logo as feras marinhas...
Oh tormenta, tanta saudade eu tinha
Do naufrágio! dos desastres que trazes!

Não! Não me procurem, oh meus amigos!
Não hão de em terra firme me encontrar,
Pois a casa da serpente do mar
Será pra todo o sempre o meu abrigo!

E às tormentas vindouras: Não tardeis!
Minh'alma espera, inquieta, a vossa vinda;
Que possais destruir-me mais ainda
Quando as nuvens chegarem outra vez!

Leviatã