A luz do sol os meus olhos não veem
Como os outros veem, e eu via outrora.
Foi pintado com cores muito além
Das que eu posso ver, o mundo lá fora.
Como os outros veem, e eu via outrora.
Foi pintado com cores muito além
Das que eu posso ver, o mundo lá fora.
Até o antigo futuro, um jardim
Antes cheio de rosas carmesim,
Não passa de terra batida agora.
E a cor repugnante dos espinhos
Espalhou-se pras pétalas das rosas
Dos canteiros que ornavam meu caminho
Cinzento, antes de cores tão vistosas...
E de que obra de arte serão tema
As simples rosas? -- Não são mais dilemas:
Não são também belas, só espinhosas!
Mas se um dia me virdes rir, atônito,
É que, por acaso, o véu foi rasgado
E floresceu nos meus olhos daltônicos
Aquele meu jardim abandonado...
E esse milagre, 'inda hoje aconteceu,
E as rosas coraram, e os olhos meus
Foram pelos raios de luz tocados.
Nessas horas, no meu peito, desponta
Uma fênix, mas em desalento
Regressa ao ninho assim que me dou conta
Regressa ao ninho assim que me dou conta
Que às cinzas tornarei em pouco tempo...
Mas sempre que as cores consigo ver
Eu penso: sim, vale a pena viver
Somente se através do véu cinzento!
