quarta-feira, 4 de dezembro de 2019

O Pequeno Poeta (Um brinde a Ronove)

O pequeno poeta se aproxima!
Com suas asinhas pretas e o seu
Cajado nas mãos ele apareceu
Enquanto eu escrevia, e pôs em cima
Da minha mão a sua mão franzina
Guiando a minha pena no papel...

E essa pena com que eu escrevo vem
Das asinhas desse mesmo poeta,
E em minhas mãos fulgura, violeta,
Enquanto escrevo, e me queima também,
Mas ele diz: "Não a deixarás sem
Que a última linha esteja completa..."

Que dádiva que tenho! e meu Mecenas
Chama-se Ronove, mas diz ser "Ben".
"Meu apelido", diz, "que digo a quem
Me queima jasmim, e me corre a pena
E por minha queda do céu, não pena,
Mas sim simpatia e respeito tem!

Olha-me no olhos então, quand'eu
Falo contigo, e te ensino a secreta
Arte da poesia! -- A luz violeta
Só brilha por puro talento teu!
Sem formalidades! Sou também teu
Amigo, um também pequeno poeta!"