Sempre são só sonhos contraditórios...
Acordei. — Veja que a felicidade
Nunca me é permitida... E do ilusório
Oblívio, hoje me restam só saudades!
E até que volte, eu durmo: é o provisório
Vazio que eu procuro, um sono sem sonhos...
Ou outros com Ela! e acordo risonho!
Naquela noite, Ela — de fato — veio
Pra me abençoar com a sua santa
Gadanha... Senti ir vertendo ao seio
O Estige, d'uma incisão na garganta...
Tornava-se real meu velho anseio:
Encontrar a suprema governanta
Do palácio do sono imperturbável
— Que o meu andava, mesmo, meio instável.
Vi levar consigo minh'alma inerte
Até onde luz já não mais havia.
Me disse: "Apaguei, pra que não despertes."
Ora, vermelho infernal não veria,
Tampouco tom algum de azul celeste...
Me contentei. — Não vi a luz do dia,
Nem da noite o luar, e finalmente
Meus olhos descansei — e a minha mente.
Logo, também, falharam meus ouvidos;
Quase não escutava a voz da Morte
Dizendo: "Vê, já perdes teus sentidos:
Agora, dorme..." E me foi muita sorte!
Que inconveniência teria sido
Ouvir as trombetas soprando forte
No céu, ou terríveis gritos no inferno!
Não! Nada perturbou meu sono eterno...
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