Com seus olhos de vidro bem abertos,
Quase como se estivesse desperto,
Olhava o boneco de porcelana.
Seu corpo tão frágil, gélido e pálido,
Há muito tempo, creio que foi cálido;
Hoje, mais nenhum calor dele emana.
Tinha a mais estranha das expressões:
Expressão nenhuma! -- As emoções
Não foram pintadas na porcelana...
E os seus olhos de vidro que me olhavam
-- Cheguei mais perto -- Nada eles mostravam.
Nada que me lembrasse a alma humana.
Olhamo-nos até que, enfim, notei
Que a porcelana estava se rachando
E que nada mais podia ser feito...
Murmurei um "Adeus!" e me afastei
E no caminho, fui imaginando
Algo que desapertasse o meu peito...
"Será que se eu ficasse e as rachaduras
Quebrassem-no, de dentro sairia
Quebrassem-no, de dentro sairia
Uma mariposa voando ufana?
Como eu gostaria! -- Será loucura?
Querer que de um boneco a pele fria
Só fosse um casulo de porcelana?"
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