terça-feira, 1 de outubro de 2019

Noite de Sonhos Febris

Arde! Degelam-se os muros de gelo
Da sua mente, mostrando o horizonte...
Muito mais longe ele enxerga se a fronte
Arde. Ardendo, o que pode detê-lo?
Só seus próprios medos, que em pesadelos
Se apresentarão, pra que ele os confronte.

Condensam-se nas têmporas e chovem
Seus sonhos, um temporal, se ele dorme
Tudo nasce e tudo morre conforme
Os desejos mais secretos do jovem.
Surge no céu uma nuvem enorme
Negra e disforme... E as nuvens se movem

Pra que se forme o dilúvio de um deus
Antigo, imerso num sono profundo.
Da cama os pés são pilares do mundo,
E o fim e o começo, só sonhos seus...
O fim! Seus sonhos rasgaram os céus
E se acabou tudo em poucos segundos.

Acima das nuvens acontecia
Entre os anjos, uma sangrenta guerra...
O céu queimava e dormindo, na terra,
Dela o destino o garoto tecia.
Sonhou que o lado do mal venceria,
E pelo sonho a guerra então se encerra:

Aos anjos rebeldes deu-se a vitória
E ao céu ergueram-se espadas sangrentas...
Mas logo se dissipou a tormenta
E da mente do jovem, a memória;
Mas esse é só o início dessa história,
Que um anjo anuncia: ao lado se senta,
Levanta uma taça de sangue e diz:
"Eternos sejam os sonhos febris!"

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Anjo caído